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Talento,
conhecimento e oportunidade não são mais os únicos fatores a
contar na disputa pelas melhores posições no mercado de trabalho.
É preciso ter tino para o negócio. Saber gerenciar. A nova
característica é requisito fundamental para os profissionais que
pretendem alcançar os altos postos de uma empresa da área de
Tecnologia da Informação. Todos os executivos ouvidos pela
reportagem do Jornal do Commercio apontam isso. Veja o
que você precisa fazer para se destacar e confira um roteiro
completo dos principais cargos do setor, o que é preciso saber
para se candidatar a eles e quanto pode chegar a ganhar.
por MONA LISA DOURADO
mldourado@jc.com.br
Não basta entender de Informática, é preciso saber
gerenciar. Esse é o requisito primordial que o mercado local de
Tecnologia da Informação (TI) está exigindo atualmente dos seus
profissionais. Proporcional à necessidade das empresas por esse
perfil de funcionário é a carência por mão-de-obra qualificada
e, conseqüentemente, alto o valor da remuneração para quem
corresponde às expectativas. Os salários chegam a R$ 15 mil.
“Queremos pessoas que representem a junção entre o
profissional técnico e aquele com experiência administrativa.
Seu papel é identificar nos clientes as dificuldades e pensar
nas formas como a tecnologia pode melhorar a gestão do seu
negócio”, aponta a gerente administrativo-financeira da
Informata, empresa especializada em distribuição de software,
Daniela Lins Pires. Mas não é só isso.
Para entrar no círculo dos mais bem empregados, é necessário
se preparar igualmente bem, seja com certificações, cursos de
reciclagem ou pós-graduações fora do País. “Um MBA nessa área é
fundamental. Algum tempo atrás, o profissional que não tivesse
conhecimentos de Informática e não falasse inglês era
considerado analfabeto. Adicione agora a falta de um MBA em
Marketing”, diz o presidente do provedor Inter.net, Clovis
Lacerda.
Até achar o ‘caminho dos bits’ para o sucesso na carreira em
TI, no entanto, é bom incluir na escalada um curso superior, que
já se tornou exigência básica na disputa por uma vaga na maioria
dos postos do setor. “O mercado sabe a qualidade do capital
humano que está sendo formado na universidade”, avalia a
diretora do Centro de Informática (CIn) da UFPE, Ana Carolina
Magalhães.
De acordo com a professora, o diferencial dos profissionais
formados em Ciência da Computação e Engenharia da Computação é a
capacidade de não só dominar uma determinada técnica ou
linguagem, como conceber sistemas, desenvolver novos métodos e,
sobretudo, se adaptar rapidamente às mudanças do mercado.
“Estamos preocupados com o perfil do aluno e não com a função
que ele vai exercer, até porque, com a formação ampla que
oferecemos, ele vai estar pronto para atuar em todas as áreas de
TI, estando preparado também para ser um empreendedor.”
Segundo a coordenadora da graduação em Ciência da Computação
da UFPE, Edna Barros, essa visão geral da tecnologia é
proporcionada pela estrutura dos cursos, cuja maior parte é
destinada a conceitos básicos de todos os segmentos. Somente nos
últimos semestres é que o aluno opta por 15 entre 123
disciplinas eletivas para se especializar em alguma área de seu
maior interesse. “Procuramos formar os profissionais tanto nas
áreas clássicas, como banco de dados e rede, como naquelas em
que há demanda no mercado, a exemplo de inteligência artificial
direcionada a jogos, sistemas embutidos e engenharia de
software”, explica.
Sentiu falta de uma maior especialização? Não tem problema,
porque, segundo o gerente de Tecnologia do Centro de Estudos e
Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Antônio Valença, ao mesmo
tempo em que exigem muito dos profissionais, cada vez mais as
corporações procuram dar condições para que eles se enquadrem em
seus requisitos. “Quando a pessoa tem um perfil de liderança do
nosso interesse, mas falta experiência na área técnica, muitas
vezes preferimos formá-la, promovendo treinamentos, a perdê-la”,
confirma a gerente de Banco de Dados da Informata, Patrícia
Wanderley.
Tão importante quanto o conhecimento para galgar degraus no
setor de Tecnologia da Informação é a personalidade e a atitude
do profissional diante de determinadas situações. “Quem não
souber ousar, arriscar e estar um passo à frente, perde terreno.
As empresas estão procurando pessoas que fazem antes de receber
a ordem”, ensina Clovis Lacerda, da Inter.net.
Outro item bastante citado pelos recrutadores do mercado
hi-tech é a capacidade de o profissional estar bem relacionado
com pessoas e instituições de sua área de atuação, de fazer o
chamado networking.
Enfim, dinâmico como é esse mercado, uma característica que
não pode faltar a quem deseja se manter nele por muito tempo é o
autodidatismo constante. Afinal, o que é top de linha hoje,
amanhã já poderá estar ultrapassado. E não é você quem vai ficar
para trás, não é? |