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A crise aqui ao lado - 08/07/2002

 A região onde trabalho hospeda as grandes empresas de telecomunicações e Internet. A menos de 1 km de distância de onde moro, estão os complexos gigantescos, cada um contendo vários prédios, da AOL e da WorldCom. É importante que tenhamos uma noção mais precisa do tamanho do problema que a WorldCom está passando. A questão maior não se restringe se ela entrará no Chapter11 (algo similar à concordata no Brasil), ou se os erros contábeis pararão nela, ou seguirão uma bola de neve, iniciada com a falência da Enron no início do ano. Esses fatos afetaram a credibilidade do mercado financeiro da maior potência capitalista, e, ao lado do escândalo da Andersen, tiveram impacto pior que o 11 de Setembro. As bolsas de NY e Nasdaq fecharam, nessa semana, em níveis mais baixos que os registrados após os atentados do ano passado.

Devemos observar o problema da WorldCom considerando que é a própria Internet que está sob iminência de um choque anafilático. A WorldCom adquiriu várias pérolas da Internet mundial, como a Uunet e MCI. Essa última é a dona da Embratel, maior estrutura de backbone de Internet no Brasil, que, especula-se há bastante tempo no mercado, está à procura de um comprador. Será que teremos desdobramentos da privatização do sistema Telebrás nas eleições presidenciais no Brasil?

Nos EUA, a MCI é a segunda maior operadora de telefonia, atrás apenas da gigante AT&T. A WorldCom está presente em 65 países no mundo, e responde, sozinha, por 30% do tráfego de Internet mundial. 

Vamos focar no ponto crucial: 30% do tráfego da Internet no mundo, passa pela WorldCom. Não há nenhuma estrutura capaz de suportar toda a demanda de tráfego existente atualmente. As empresas que fornecem banda larga, especialmente em DSL e Cabo, estão no prejuízo. É de se questionar se farão investimentos extras em novos backbones, se o negocio não é rentável. Por outro lado, o acesso discado está pulverizado pelas várias empresas de telefonia, e, ironicamente, deverá ser o menos afetado por um resultado desastroso no caso da WorldCom. A Internet poderá sofrer um forte freio de arrumação.

Todos esses desdobramentos do mercado têm como um dos pontos de partida a lógica de Wall Street de valorização de empresas de tecnologia, em cima de um modelo lunático de aquisições e crescimento. O primeiro grande gigante a cair foi a PSINet, no meio de centenas de pequenas empresas que desapareceram do mapa. Agora, onde menos se esperava, pode ser a vez da WorldCom.

  

Projeto AltasOndas                                                                              Washington D.C., 2005