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Comunicação e internet dentro da empresa
Há
certas coisas em muitas empresas de hoje que fogem da lógica comum e das lições
básicas de gerenciamento e planejamento que se aprende em uma escola. O homem
é um ser social, e, portanto, necessita se comunicar. Essa necessidade se
desenvolveu com o grande passo da invenção da escrita, passando por
comunicação à longa distância, seja por sinais de fumaça ou através de
pombos-correio. Hoje, a Internet soma tudo isso e transforma a tecnologia no
mais poderoso aliado da comunicação global e quase instantânea. Os homens,
para fazer negócios, precisam se comunicar. As pessoas precisam se comunicar
para satisfazer seus desejos de sociabilidade.
Pois
bem. Chegamos ao paradoxo que gostaria de discutir, e volto à primeira linha
desse artigo. Muitas empresas estão dificultando, abolindo e burocratizando o
uso da Internet para a comunicação dos seus funcionários. Há regras complexas
e gigantescas que esclarecem como as ferramentas de comunicação só podem ser
usadas para fins dos negócios da empresa. E-mail, só com muita restrição.
ICQ, nem pensar.
Está
claro que, para definir o que se pode escrever e como se deve escrever,
existem certas normas a serem seguidas, em proteção da empresa e do próprio
funcionário. Mas a retirar a possibilidade de usar esses recursos de
comunicação para assuntos que não sejam exclusivamente ligados ao trabalho, existe
uma grande diferença.
Qual
o problema de se enviar ou receber um e-mail pessoal, de um amigo, ou
parente? Qual o problema de se conversar com os amigos pelo ICQ? Qual o
problema de se usar a web para pagar as contas, que vencem naquele dia, pelo
Internet banking? Ora, isso era feito com muita freqüência na época em que
não havia Internet e o telefone era o único meio de comunicação com o meio
externo. Mudamos as ferramentas de comunicação, mas a necessidade humana
continua a mesma. Então, como se resolver o paradoxo da suposta “distração no
trabalho” com os resultados e performance esperados pela empresa?
Aqui
é onde está o ponto crucial a ser debatido. A primeira pergunta que se deve
fazer em uma empresa, quando se percebe que seus funcionários usam em demasia
o e-mail ou o ICQ, não é qual a forma e regra que devem ser aplicadas para se
controlar isso. O que se deve perguntar é se a empresa está gerenciando bem o
seu próprio negócio. Faça a si mesmo as seguintes perguntas:
Minha equipe sabe claramente o que precisa
executar?
Minha equipe tem metas, prazos e resultados a serem
cumpridos?
Minha empresa trabalha com planejamento?
Minha empresa estabelece grupos de trabalho
interdisciplinares para que determinados objetivos sejam planejados e
alcançados, além de gerar sinergia e troca de informações e conhecimento
entre os diferentes departamentos?
Atingindo os objetivos, meu funcionário é premiado?
Não atingindo os objetivos, está claro para ele, quais são as conseqüências?
Respondendo
a essas perguntas, a empresa sai do foco “relógio de ponto” e visa a melhoria
dos resultados, dentro de prazos. Se um funcionário se dedica ao cumprimento
dos seus prazos, qual o problema dele relaxar um pouco e bater um papo com
seus amigos no ICQ? Qual o problema dele sair da sala de trabalho e ir jogar
um mini-golfe ou uma sinuca? Ou às 15 horas, o dia de trabalho ser encerrado
com confraternização, salgadinhos e refrigerantes, em comemoração de mais um
projeto realizado?
Restringir
ou eliminar o uso de ferramentas de comunicação é querer resolver um problema
em cima do efeito e não da causa. Infelizmente, muitas empresas ainda
trabalham com a preocupação de eliminar o efeito do problema e não a sua
causa. Um dia irá descobrir que, mesmo sem e-mail ou ICQ, os resultados nunca
aparecem.
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